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Missão dada é missão cumprida !
Roberto Trigueiro Fontes Gosto muito dessa frase: “missão dada é missão cumprida”. Obviamente isso lembra idéia de militar, forças armadas, enfim, aqueles lugares que muitos de nós jamais conheceram (eu, por exemplo, nunca servi às Forças Armadas; fiquei no chamado “excesso de contingente”) e alguns que conheceram tentam esquecer. Todavia, muitos ensinamentos que se guardam ao longo da vida decorrem desse período, aquela época em que o jovem ainda está querendo impor suas idéias sem perceber o que isso pode acarretar àqueles que se encontram à sua volta. Nesse aspecto, as mulheres “escapam” desse ensinamento compulsório, mas é bem verdade que a própria vida ensina a todos nós e conviver em um ambiente no qual a hierarquia e o respeito antecedem vários outros princípios termina por ajudar na formação de qualquer um. Certamente existem vários que não se coadunam com esse tipo de doutrina, mas, se pararmos para pensar um pouco, podemos até chegar à conclusão de que ela não é tão arbitrária assim. Imagine-se em um ambiente de trabalho em que o seu superior hierárquico responde perante alguém mais superior ainda pelo êxito de sua equipe. Se todas as vezes que se determinar algo a ser feito houver um questionamento por parte de algum membro da equipe, é de se convir que não existe comando. Logo, partimos da premissa que se deve cumprir tudo o que se manda. Mas, e se houver ordens erradas ou absurdas ? Ora, o próprio sistema haverá de punir o mau líder, afinal ele tem responsabilidades perante seus superiores e perante a direção da empresa. Em vista disso, quando se diz que missão dada é missão cumprida, significa que a equipe não deve ficar questionando a cada determinação. Volto a insistir no ponto que os resultados falarão por si na hipótese de a ordem estar equivocada. Neste ponto é importante que fique bem claro que estou tratando de questões estratégicas, jamais acerca de questões éticas. Portanto, se uma determinação ferir a ética da empresa ou do próprio empregado, deve-se gritar imediatamente a todos os ventos, não deixando para depois, caso contrário não se poderá alegar desconhecimento posteriormente para eximir-se de responsabilidade. Dessa forma, naquilo que concerne às questões de trabalho propriamente ditas, desincumbir-se da tarefa é meta cotidiana de qualquer um. Fala-se muito dos espartanos que constituíram provavelmente o exército mais organizado e violento da Antiguidade Clássica, cujo lema bem poderia ser a idéia que ora discutimos. Porém, há um outro exemplo de determinação que ultrapassa qualquer limite do razoável, mas que serve como ilustração para o contexto de nossa análise. Peço licença para transcrever abaixo o discurso proferido por Hernan Cortez, em pleno Século XVI , antes de conquistar o Império Asteca: “Soldados de Espanha! Antes de tudo há de lutar! As caravelas, mandei-as afundar, para não terdes qualquer veleidade de voltar. Há que lutar com as armas que tendes à mão. E se vo-las romperem em violento combate, então há que brigar a socos e pontapés. E se vos quebrarem os braços e as pernas, não olvidei os dentes. E se havendo feito isso, a morte chegar, mesmo assim não tereis dado a última medida de sua devoção, não! É preciso que o mau cheiro de vossos cadáveres empeste o ar e torne impossível a respiração dos inimigos de Espanha. Avante, por Deus e por Santiago”. Cortez estava a frente de quatrocentos homens, com 12 cavalos, munidos de 32 escopetas e quatro canhões, além do auxílio de umas tribos aliadas. Ele derrotou um exército de 500 mil homens e aniquilou o Império Asteca, conquistando o México. Em tempos mais recentes, podemos lembrar que Winston Churchill era a pessoa certa para enfrentar o poder inigualável de Hitler, por ocasião da Segunda Grande Guerra. Tinha uma determinação impressionante e sabia, como nenhum outro líder do seu tempo, sugar até a última gota do sangue que corria nas veias de seus combatentes. Quando recebeu a missão de chefiar o Parlamento, disse ao povo inglês que nada lhes podia oferecer senão “sangue, trabalho, suor e lágrimas”. A sua missão era dura, sobretudo no momento em que lhe foi entregue, mas exatamente em virtude das enormes dificuldades e dos insuperáveis desafios é que certamente o grande estadista conseguiu ultrapassar os obstáculos e cumprir sua missão. Certa feita Churchill disse, em homenagem aos homens da Real Força Aérea Britânica, que “nunca, na História da Humanidade, tantos deveram tanto a tão poucos”. A luta era desigual, mas a missão dada tinha de ser cumprida. E como foi! Sem a necessidade dos extremos de uma guerra, mas com o foco na idéia de que profissionalmente se aprende com os verdadeiros líderes, podendo-se até a chegar a ser um deles, fica a reflexão de que os questionamentos têm seu momento adequado para tornarem-se públicos e o cumprimento da tarefa é primordial para que uma equipe de trabalho possa ser considerada vitoriosa naquilo que faz. Como disse, a performance da equipe dará ao seu líder a respeitabilidade que o mesmo detém perante os seus superiores ou os seus próprios clientes, de modo que naturalmente suas decisões incorretas deverão passar pelo crivo daqueles que o encaram como responsável direto de uma missão. |
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